Realojamento

Temos vindo a defender que dotar as famílias de uma habitação condigna não é, por si só, solução de todos os seus problemas, designadamente os de exclusão social.

É que o mero ato de entrega de uma habitação a uma família, sem qualquer preparação, pode até aumentar os focos de exclusão social, designadamente pelo desenraizamento da família, pelo desconhecimento da utilização do espaço que vai habitar e também pela falta de preparação para estabelecer relações de vizinhança.

Há pois todo um trabalho a desenvolver paralelamente e que passa, naturalmente, por um acompanhamento social aos mais diversos níveis, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, de modo a dotar a família de informação e formação para resolver os seus problemas de vivência em comunidade.

O trabalho realizado a este nível pela CASFIG, desenvolve-se em 3 fases: Pré-realojamento, Realojamento e Pós Realojamento.

1.ª Fase: Pré-realojamento

A fase que antecede a entrega da chave do respetivo fogo reveste-se de extrema importância, uma vez que se irá repercutir no modo como cada agregado familiar se apropriará da habitação. Deste modo, os serviços da CASFIG realizam um conjunto de reuniões em horário pós-laboral, para que todas as famílias posam estar presentes sem que para isso necessitem faltar à sua atividade profissional. As reuniões são realizadas em pequenos grupos, respeitando o Empreendimento em que irão ser realojados e as entradas do prédio a ocupar, com a seguinte ordem de trabalhos:

  • Apresentação de todos os funcionários da CASFIG;
  • Localização geográfica do Empreendimento;
  • Apresentação dos futuros vizinhos;
  • Conhecimento da nova casa;
  • Conhecimento das casas por tipologia;
  • Explicação do Regime de Renda (Renda Apoiada);
  • Apresentação da renda de cada agregado;
  • Apresentação do Regulamento do Empreendimento;
  • Contrato de Arrendamento e sua assinatura;
  • Confirmação da localização de cada família;
  • Procedimentos a tomarem para a requisição de água, luz e gás;
  • Informação geral de entidades/ serviços de utilidade publica da nova área de residência;
  • Preparação para a cerimónia de entrega das chaves do fogo;
  • Plano de realojamento;
  • Esclarecimentos técnicos vários.

No caso dos agregados unifamiliares a realojar em Residência Partilhada, é feito o acolhimento na própria residência, onde se realizam algumas dinâmicas de "quebra gelo", visita à casa e seu funcionamento, inventário de todo o mobiliário, leitura do regulamento, atribuição dos quartos e definição do mapa de tarefas.

2.ª Fase: Realojamento

Após a entrega das habitações, a CASFIG acompanha os agregados familiares na mudança para a nova casa, conferindo especial atenção às famílias mais necessitadas. Esse acompanhamento incluiu, por vezes, o apoio logístico para o transporte de mobílias e eletrodomésticos, sempre com a colaboração preciosa da Câmara Municipal de Guimarães.

A par disso, a equipa técnica da CASFIG orienta os agregados familiares no que respeita à utilização dos equipamentos da nova casa, quer em intervenções na própria habitação, quer através da distribuição de um manual contendo regras de utilização do espaço a habitar, designado por “Manual do Morador”, no qual se apresenta, pormenorizadamente, um conjunto de informações e conselhos tendo em vista a conservação dos espaços construídos, de modo a proporcionar dignidade às habitações e garantir qualidade de vida a todas as famílias residentes.

Refira-se, ainda, que o trabalho desenvolvido na fase do Pré-realojamento revela-se, aqui, extremamente importante, uma vez que à data da entrega das chaves a quase totalidade dos agregados familiares têm já requisitado os contadores de água, eletricidade e gás.

3.ª Fase: Pós-realojamento

Após o realojamento efetivo dos agregados familiares, os serviços da CASFIG iniciam um conjunto de intervenções de caráter social com os agregados familiares residentes, uma vez que têm sido sinalizadas, para além das já conhecidas, situações geradoras de desequilíbrios familiares provocadas, essencialmente, por problemas de dependência do álcool, toxicodependência, violência doméstica e abandono escolar. Convém referir ainda que estas ações são sempre postas em prática respeitando totalmente as características de cada uma das famílias, bem como rentabilizando a capacidade de cada um dos agregados familiares na resolução dos seus problemas.

O acompanhamento às famílias é sempre efetuado em colaboração com as várias instituições competentes, das quais se destaca o Centro Regional de Segurança Social (CRSS), o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o Centro de Respostas Integradas (CRI), o Hospital do Alto Ave e os Centros de Saúde do Concelho.