Objetivos e Modelo de Intervenção

OBJETIVOS, PREOCUPAÇÕES E MODELO DE INTERVENÇÃO DA CASFIG

No cumprimento do seu objeto social, bem como as competências que lhe estão cometidas pela Câmara Municipal de Guimarães, o trabalho desenvolvido pela CASFIG caracteriza-se por uma forte componente de intervenção social, tendo como grande objetivo a valorização da qualidade de vida e o bem-estar das famílias residentes nas habitações sociais de que é responsável, nas suas diferentes vertentes: educação, emprego, saúde e cultura. Deste modo, mais do que uma política de habitação social, a CASFIG procura por em prática uma política social de habitação, não limitando a sua intervenção à dimensão urbanística e financeira do património.

Na verdade, acreditamos que só de forma integrada, intervindo nas várias frentes que podem influir sobre o bem-estar dos indivíduos, é possível trabalhar no sentido de alcançar uma inclusão social positiva e harmoniosa das famílias que a nós recorrem, na sua larga maioria, pessoas cuja história de vida as coloca em posição de maior vulnerabilidade a fenómenos de exclusão social e, por isso, se encontram entre os grupos populacionais com maiores dificuldades, ao mesmo tempo que se incluem nos grupos mais difíceis de ajudar e/ou intervir.

A escassez de rendimentos é uma variável recorrente nas famílias com que diariamente trabalhamos, em resultado de uma combinação de diversos fatores: desemprego ou emprego precário, níveis salariais reduzidos e baixos rendimentos de pensões.

Não temos dúvidas de que a conjuntura desfavorável que o país atravessa tem agravado a debilidade socio-económica destas famílias, que se caracterizam não só pela instabilidade financeira, mas também pela instabilidade das suas relações sociais e familiares.

O percurso de inserção social de cada família é tanto mais longo quanto mais frágeis estiverem as suas competências sociais (pessoais, relacionais, profissionais) e, por outro lado, quanto menor for a capacidade inclusiva da comunidade em que se insere. Deste modo, a CASFIG procura investir nas competências pessoais e sociais dos elementos que compõem os agregados familiares residentes, prestando apoio técnico na definição dos seus projetos de vida, conferindo especial atenção às famílias que manifestam um desgaste evidente dos seus recursos emocionais e materiais.

Defendemos que a intervenção social constitui um dos mais fortes instrumentos da política de habitação social, exigindo uma adaptação contínua face às diferentes formas de manifestação da vulnerabilidade social. Deste modo, as formas de intervir – que são constantemente avaliadas, na sua dimensão técnica e politica, de modo a estudar as transformações que se vão verificando nas famílias – efetuam-se de modo complementar a diversos níveis: a compreensão do funcionamento e da estrutura das famílias, a reformulação das estratégias de intervenção com as famílias e as políticas sociais que organizam os apoios existentes.

Para esse efeito, levamos à prática de uma política social de intervenção colaborativa de proximidade e de planeamento estratégico, atuando com maior incidência junto das famílias que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, visando o combate à pobreza e à exclusão social que caracteriza a maioria da população que recorre aos nossos serviços.

Na verdade, a aposta numa intervenção de proximidade, de vizinhança, de institucionalização e de representatividade das associações, visa conseguir que cada cidadão residente se sinta verdadeiramente um protagonista no desenvolvimento local. Esta metodologia contribui não só para a criação de inovação, mas também para a co-responsabilização dos cidadãos no desenvolvimento da sua comunidade.

Considerando que realojar não é só disponibilizar espaços de habitabilidade com condições dignas, o combate ao isolamento das populações que vivem em núcleos residenciais de habitação social é o primeiro passo para contrariar o surgimento de fenómenos antisociais, nomeadamente situações de marginalidade e até de violência.

A inclusão social só é viável quando, através da participação em ações coletivas, a população que se encontra em situação de exclusão for capaz de, para além de aceder a uma habitação digna, ter acesso à independência económica, à educação, à saúde e à cultura.

Através de uma metodologia de intervenção integradora, a CASFIG tem perseguido o objetivo da integração social através de uma equipa multidisciplinar que as acompanha, durante o tempo que for necessário, na sua adaptação aos novos contextos físicos e humanos.

Diante da complexidade do desafio de transformação social, bem como da multiplicidade de fatores intervenientes, não existe uma solução única e miraculosa. O processo de inclusão social dos diferentes agregados familiares que são alvo da intervenção da CASFIG, apesar dos progressos indubitáveis já alcançados, caraterizam-se, muitas vezes, por avanços e recuos.

Contudo, e apesar dos problemas existentes, é nossa convicção de que os empreendimentos de habitação social são ou podem ser espaços de muitas oportunidades. Desde logo pelo seu espaço físico e pela juventude da sua população, o gosto pela casa, pelo núcleo residencial que integram, pelos laços de vizinhança existentes, pelo associativismo local, etc., que revelam a existência de uma coesão interna que potencia e predispõe para a auto-organização e para a adesão a processos de reabilitação.

Todas as famílias têm competências e recursos que é necessário ativar, co-responsabilizando-as no seu processo de integração, ao invés de criar dependências. É nossa convicção que só desta forma se podem potenciar competências. 

 

Para além da intervenção social propriamente dita, a CASFIG atua, como lhe compete, na preservação e conservação do património de que é responsável, garantindo a sua boa manutenção através de um acompanhamento próximo e de uma fiscalização diária, quer do edificado quer das áreas envolventes.
O modo como os indivíduos se relacionam no seu espaço e o modo como constroem a sua identidade, podem e devem gerar a sua participação social e cívica. Na verdade, cada morador só defenderá o seu espaço se se identificar com ele e dificilmente participará numa iniciativa de inclusão social e de preservação do património se as suas relações de sociabilidade forem deficitárias.

A habitação social tem, portanto, que ser capaz de ir além da mera disponibilização de meios e/ou recursos, tem igualmente que garantir a criação de condições para que os indivíduos possam exercer plenamente os seus direitos de cidadania. Com base nesta convicção, temos procurado trabalhar no sentido de potenciar a criação de condições que assegurem a esta população a igualdade de oportunidades, que fomentem o sentido de pertença à comunidade e que permitam a integração social de todos quantos residem nos empreendimentos de habitação social.

Assim, pretende-se que os núcleos residenciais estejam abertos à comunidade, pois só desse modo se poderá combater a exclusão social, sendo importante que as famílias não se encerrem em si mesmas, mas interajam e criem laços com os restantes actores locais, nas suas diferentes vertentes (emprego, educação, saúde, cultura).

Nesta linha metodológica do trabalho desenvolvido, temos procurado valorizar do estatuto das famílias residentes, potenciando as suas capacidades e impulsionando dinâmicas sociais locais.

A política social que a CASFIG tem vindo a adotar na gestão do parque habitacional de que é responsável implica, em primeira instância, abordar os problemas que afetam as famílias que habitam estes núcleos residenciais, procurando desenvolver estratégias de ação que assentem na valorização da qualidade de vida da população.

A função da CASFIG é ajudá-las a reconhecer e a apoiarem-se no que de melhor e mais positivo têm, para assim poderem modificar o que for necessário. Para que tal aconteça, é preciso que, juntamente com as famílias, se criem as condições básicas para uma intervenção senão plena, eficaz. Procuramos, assim, que a família seja parte ativa no processo de mudança, ajudando-a a realizar esse objetivo, treinando competências, integrando-a na sua rede comunitária e orientando-a para os serviços adequados.

Assim se compreende que a ideia chave no nosso trabalho é autonomizar as famílias para que aprendam a ultrapassar os obstáculos e a resolver os problemas que desencadearam a sua situação de crise e que está na origem dos motivos porque nos pedem apoio. Dar atenção ao todo que é a família e às partes que são os seus elementos, deixando que cada agregado familiar, com a sua cultura, com o que tem de melhor e mais autêntico, se reconstrua e se harmonize.